domingo, 29 de abril de 2012

Que camisa é a tua?

Essa é uma questão que há muito tempo me incomoda. Com a presença da Ponte Preta em jogos decisivos nos últimos dias, a inquietude da questão chegou ao ápice. 

Qual é a camisa titular da Ponte Preta? 

A faixa preta na camisa branca é uma alusão à histórica ponte preta que deu nome ao clube?

Qual a camisa titular do Vasco da Gama? A branca ou a preta?

O uniforme tradicional do Vasco é constituído por calções e meias que acompanham a cor predominante na camisa, ou não?

Porque o Náutico, proclamando-se um puro alvirrubro, em muitas partidas adota a camisa branca como titular, e não a listrada bicolor?

Porque o Fluminense, tendo uma camisa tão única e bela, muitas vezes em décadas passadas usou a branca como titular?

Tendo em vista que a camisa tricolor do Bahia é a mais popular entre os torcedores, porque o time tradicionalmente joga de branco?

Qual a titular do Santa Cruz? A estilo "SPFC" ou a autêntica "cobra coral"?

Por mais fútil que possa parecer, acho que alguns clubes deixam de fortalecer suas respectivas marcas e imagens com essas indefinições. Claro, todos sabem que a faixa diagonal é do Vasco (ou Ponte), que a tricolor azul-branca-vermelha é do Bahia e o Santa Cruz veste a camisa cobra-coral. Mas isso poderia ser melhor aproveitado.

O que acham os torcedores, ainda mais os dos clubes citados?
Julgam irrelevante, têm alguma preferência sobre a camisa de seu clube?

A camisa titular do São Paulo é tradicionalíssima, assim como a do Santos e Corinthians. Mas conheci torcedores desses clubes que preferiam as camisas suplentes.

E você, o que acha?





sábado, 3 de março de 2012

Para hoje, um texto louco, espontâneo, errante e vibrante, que talvez poucos entenderão.

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Uma das coisas que mais me fascinam na cultura do futebol é a autenticidade, geralmente fundamentada através da mais pura expressão popular. Popular no sentido mais amplo, de toda a população, do rico e do pobre, do negro e do branco. Iniciativas autênticas e espontâneas, embebidas dos mais nobres valores, como saúde, diversão, amizade e união. Nos primórdios desse esporte, amigos reuniam-se e fundavam um time. Amigos de rua, de colégio, de trabalho, de crença.

Nasceu elitista, é verdade, como boa parte dos esportes, senão a grande maioria. Mas pouco demorou para o povo dar-se o esforço de escalar as árvores para assistir a uma partida. Não muito longe dali, um pivete inventava uma bola de meia e a jogava para o meio de uma rua estreita de um subúrbio londrino. Em meio às nubladas mazelas urbanas, a amizade corria atrás da bola e coloria infâncias.

Antes do jogo, tal como um exército, convocam-se os soldados pelo grito do general. Mas o general não é o mais forte, mais inteligente ou mais corajoso. É só o dono da bola... O exército não tem armas. A ponta de lança é um dedão sujo. O que mais fere é o chão irregular. A militância não tem fardo camuflado ou artigos de defesa. Às vezes, até de pés descalços estão. Mesmo que o sol arda o piso, mesmo que o gelo acaricie a pedra.

A sua bandeira não tem o dever de ser coerente com a realeza, com a religião ou com partido político. Vão nela as cores de seu gosto. Não possuem "rabo-preso" com poderes superiores ou têm objetivo de agrado à torcida. Não. Eles fazem o que gostam e o que querem.

Por isso é tão fascinante o futebol. Por isso tão fascinantes os times. É a expressão autêntica do povo. Não há reis, não há modas, não há espelhos. No mundo dos clubes, a fantasia torna-se realidade. E porque não, portanto, a realidade se torna fantasia?

Do navio sueco que passou pelo porto de Buenos Aires, surgiu o Club Atletico Boca Juniors, com as cores carnavalescas do bairro mais dançante da cidade. Em São Paulo, Corinthians e Palmeiras realizam um derby agaroado, nublado. O branco e preto corintiano retrata com fidelidade a pálida periferia paulistana. Nem mesmo o verde do Palmeiras tenta ser vivo. É sujo, opaco, com as marcas do esforço de imigrantes que ajudaram a construir uma metrópole. No Fluminense, vê-se as cores de uma elite poderosa e intocável, que aprecia com tempo de sobra as belezas da maravilhosa cidade. Já o Flamengo explicita o calor. De um povo que se reúne com a naturalidade de quem nasce, dança os olhares e sente os cheiros de um samba de rua que exala suor de amor.

Qualquer coisa além disso, é exagero. Como milhões na conta de um jogador. Torcidas armadas. Clubes-itinerantes de empresários comprando torcedores para vender um produto. Falso. Vazio. Superficial. Passageiro. O futebol pode ser a imagem mais fiel de nossa realidade. A realidade dos nossos sonhos, realidade inconsciente. Talvez a mais bela. Não deturpe-o, não seja covarde. Seja autêntico, sincero, corajoso. Viva o que é digno de ser vivido. Com amizade e sensibilidade. Isso é futebol.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Clubes -quase- tricolores

Há clubes com identidades visuais e simbolismos tão fortes que a convencionalidade de uma camisa bicolor não é suficiente. Nem "tricolor". Adotam uma terceira cor, como uma assinatura de que a "tal" combinação de cores é do clube "tal" e nenhum mais. Porém, essa cor fica restrita apenas a detalhes, ao ponto de ser heresia denominar o tal clube de "tricolor". Confuso? Nem tanto...

Devem haver inúmeros exemplos no Brasil e no mundo, mas no momento apenas os seguintes me vêm à mente:

SE Palmeiras


Nos últimos anos, vem adotando a cor vermelha nos detalhes dos uniformes suplentes. Há inclusive bandeiras não-oficiais que ostentam essa cor, de maneira tímida, ao lado do verde e branco tradicionais. A explicação é fácil e a história bastante conhecida. Antes de intitular-se "Palmeiras", o clube se chamava Palestra Itália e ostentava as cores da bandeira nacional italiana. Durante a Segunda Guerra Mundial, o clube foi obrigado a mudar drasticamente seus símbolos, pois a Itália era inimiga de guerra. Mas até hoje, devido à grande ascendência italiana da população paulistana, as relações com as cores da Itália e com os antigos símbolos do Palestra são muito fortes. O vermelho, ao lado do verde e branco, forma a tríade do pavilhão nacional italiano, o que satisfaz com louvor os olhos do torcedor palmeirense.





Sport CR



O clube pernambucano poderia, facilmente, ter sua camisa associada a do clube mais popular do Brasil, o Flamengo. Essa associação é muito comum no Brasil. Diversos clubes, pequenos e grandes, inspiraram-se no gigante carioca. Mas o Sport possui uma terceira cor: o amarelo.


Confesso que desconheço a história por trás dessa cor. Mas imagino que tenha relação com o leão dourado desenhado dentro de seu escudo, sendo este animal, provavelmente, o maior símbolo do clube. O apelido mais falado pela torcida é o "Leão" e o amarelo também ganha espaço nas faixas da torcida e no uniforme de uma torcida organizada. Em todos os grandes jogos do Sport, é possível notar uma grande massa amarela atrás do gol. É a Jovem do Sport.


Outra sensação que tenho, agora estritamente particular, é que essa combinação de cores remete bastante ao carnaval pernambucano. A combinação rubro-negra, apesar de "quente", é discreta. Os detalhes em amarelo, ao meu ver, tornam a tradicional combinação futbolera mais carnavalesca e única, mas sem perder a elegância. Vejo como uma referência subliminar à colorida cultura popular pernambucana. Isso é muito bonito.


FC Barcelona (Espanha)

Outro clube em situação semelhante é o famoso Barcelona. Não é tricolor, mas o amarelo sempre esteve muito presente nos uniformes do clube e na torcida. Fácil de explicar e por se tratar de um clube tão falado na mídia, não vou me aprofundar. O amarelo é uma das cores da bandeira da Catalunha, região da Espanha que recebe um sentimento patriótico muito forte dos seus nativos.


Figueirense FC


É sabido que o Figueirense é alvinegro. Sua maior torcida organizada, inclusive, chama-se Gaviões Alvinegros. Sua camisa é alvinegra. Poucos suspeitam que aquela pequena e tímida árvore verde no centro do escudo pode influenciar algo. Mas influi. Nada mais justo. A figueira, que dá nome ao clube, é uma árvore grande, forte e imponente. Há notícia de uma camisa oficial com verde em 1976. Mas os anos passaram e o alvinegro continuou absoluto. Somente nos últimos anos os detalhes em verde voltaram a aparecer, timidamente na camisa titular e com mais espaço nas segunda e terceira camisas. Acho essa combinação muito interessante e particular. Obtive estas e outras informações neste atraente blog de um torcedor do Figueira.




CA River Plate (Argentina)

A presença do River nesta lista é discutível. Porque aparentemente a presença do preto não tem razão histórica. Mas aos poucos ganhou espaço nas camisas reserva do clube. Na Argentina, é comum ver as cores-símbolos do clube apenas na camisa. O calção ganha cores mais escuras ou mais claras, para gerar contraste em relação à camisa. Além do alvirrubro River Plate e seus calções pretos, há com a mesma combinação o Estudiantes e o azul-marinho nos calções do vermelhíssimo Independiente (para exemplificarmos apenas entre alguns dos maiores clubes).

O preto no River Plate gerou uma belíssima camisa tricolor:




Há também o caso dos alviverdes Banfield (Argentina) e Werder Bremen (Alemanha), que deram respeitável espaço ao... LARANJA em algumas camisas titulares e reservas. A razão, desconheço. É tema para outra divertida pesquisa.




Um ótimo post sobre o tema, referente a combinações de cores exóticas ou pouco convencionais está no blog Compulsivos por Camisas FC, de onde retirei as duas últimas imagens.

E tu, lembras de outros clubes "quase-tricolores"?

Um abraço.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Coincidências

Como de costume, vaguei por diversos blogs camiseteiros da Web, entre eles o "Futebol pelo Mundo", do Chico Izidro, jornalista do Correio do Povo de Porto Alegre. Lá encontrei a nota sobre o lançamento das camisas de Lanús e Banfield, rivais do sul da Grande Buenos Aires. Derby naturalmente denominado El Clássico del Sur.




Até então, nada surpreendente, pois já tinha conhecimento da existência de tal rivalidade. Mas ao observar as fotos, vendo as camisas assim dispostas, lado a lado, uma familiaridade me veio à memória. As cores das camisas e suas respectivas disposições são as mesmas de outro sólido clássico do interior do Brasil...

Alguém adivinhou? Fácil demais.

Dica: "é muitas vezes tido como o fruto do Anacardium occidentale quando, na verdade, trata-se de um pseudofruto.

(...) se constitui de duas partes: o fruto propriamente dito, que é a castanha; e seu pedúnculo floral, o pseudofruto, um corpo piriforme, amarelo, rosado ou vermelho". (Wikipédia)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A. S. Roma - Série Escudos Alternativos dos Clubes Italianos

Introdução

A riqueza cultural e identitária dos clubes italianos

Há várias décadas que o futebol italiano, considerando sua seleção, seus clubes e campeonatos, é um dos mais cultuados e valorizados no mundo. A fama dos grandes clubes italianos atravessa o globo através de pomposas transmissões televisivas da Serie A, além de tradicional e vitoriosa participação na história da Champions League. Pode-se notar sem grande surpresa fãs de Internazionale, Milan, Juventus e Roma no Brasil e no mundo.

Não somente o sucesso dos clubes italianos e seus grandes jogadores que atraem os fãs de futebol. A história futebolística desse país se passa por grandes e apaixonadas (leia-se desacomodadas e barulhentas) torcidas e representações políticas muito fortes, como no ultranacionalismo de parte da torcida da Lazio e nos ativismos comunistas na torcida do Livorno.

Outra característica que difere os clubes italianos de muitos da Europa é a riqueza em cores. O rosa do Palermo, o laranja e bordô da Roma (os gialorossi vão me matar*!), o violeta da Fiorentina e até uma combinação tetracolor, da Sampdoria, são as que mais chamam a atenção. A Itália se mostra, no bom sentido, uma grande despudorada nas representações de seus clubes, o que fortalece as identidades locais e fascina os loucos pelo universo futebolero. Elementos tais que serão tratados em diversas postagens no blog.

À parte do jogo, do qual se encarregam exaustivamente as transmissões televisivas, focarei em pequenas e grandes curiosidades que talvez passem desapercebidas ao telespectador comum.

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Na postagem de hoje, uma pequena curiosidade: O escudo alternativo da Associazione Sportiva Roma, utilizado entre 1979 e 1997. Todos conhecem o atual escudo, belo e tradicional, caracterizado pela loba amamentando dois bebês humanos e pelas letras A, S e R talentosamente entrelaçadas, tendo como plano de fundo a combinação vermelho-amarelo, cores da bandeira de Roma. A imagem da loba se chama "Lupa Capitolina" e é uma referência ao mito fundador da cidade de Roma, no qual se diz que os gêmeos Rômulo e Remo, representados nos bebês, são os fundadores da cidade. A loba amamenta-os porque os bebês, então recém-nascidos, foram abandonados no Rio Tibre. Já em terra, às margens do rio, a Loba os acolhe e alimenta com amor, pois acabara de perder seus filhotes. O fim desta bela história pode ser lido com maiores detalhes e melhor narração no Wikipedia, de onde tirei estas informações.

Vamos ao escudo atual, que é também o primeiro, utilizado desde as origens do clube, fundado em 1927.


Já o escudo alternativo, razão desta postagem, é muito mais simples:




A idéia do escudo surgiu em 1978, quando a Roma foi aos Estados Unidos realizar uma partida amistosa contra o New York Cosmos (foto ao lado). Durante a estadia, os executivos do clube observaram como o esporte naquele país foi impulsionado principalmente pelo "merchandising" e venda de produtos das equipes. Nesse sentido, o tradicional escudo romanista possuía uma limitação. A Loba Capitolina era símbolo da cidade e não poderia se tornar uma marca comercial. Concluiu-se, então, que a criação de um novo logotipo seria parte de uma nova estratégia de marketing da Roma. O designer Piero Gratton foi o encarregado para criar a cabeça de lobo com olhos vermelhos, estilizada, envolta por um círculo vermelho e amarelo.

Em 1997, o clube conseguiu uma permissão oficial da cidade de Roma para a utilização da Loba Capitolina como escudo do clube e marca comercial, voltando a ostentar o velho escudo. O escudo alternativo vem sendo utilizado nas últimas temporadas pelas camisas suplentes (foto à direita).






Camisa retrô da AS Roma.
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*Observação: Muitos dizem que a Roma tem uma combinação vermelho-amarela, justificando naturalmente o apelido "gialorossi". Ao longo da história, porém, vêem-se algumas breves variações de tons nas camisas do clube, suficientes para outras interpretações. Dos sites que naveguei, nenhuma conclusão consegui tirar. Alguns dizem marrom e laranja, outros, vermelho e laranja. À mim, isso pouco importa, pois considero de qualquer maneira uma linda combinação!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Seja bem-vindo.

Para mim, este não é apenas um blog, uma sequência fria de caracteres resultante num texto informativo ou numa opinião que não serve a ninguém; é, na verdade, mais inútil e egoísta que isso: uma válvula de escape para minha loucura pelo futebol. O espaço que esse esporte ocupa em meu cérebro certamente atrapalha minha saúde mental. Com o intuito de equilibrar a mente e desocupar espaços cerebrais, este blog enfim nasce.

Mas vamos ao que interessa. Do que se trata o blog? Desde criança, o que me atraiu ao futebol não foram os dribles, os carrinhos e as redes estufadas, mas os símbolos, cores, representações de cada clube, seleção e torcida. Pretendo discorrer, comentar, opinar e devanear sobre as histórias carregadas nesses símbolos, tão bem alimentados pelos corações dos torcedores.

Boa leitura!